Alojamento da base do Corinthians está irregular e especialista vê risco

Um alojamento para jogadores da base do Corinthians localizado nas proximidades da sede do clube, no Parque São Jorge, zona leste de São Paulo, funciona irregularmente. O problema está na licença concedida pelo Corpo de Bombeiros, enquadrada em uma categoria de ocupação inadequada, cujas exigências são menores. Na última sexta-feira (8), um incêndio que atingiu o CT do Flamengo e matou 10 jovens atletas do clube alertou para as condições de moradia das categorias de base.

Segundo apuração da reportagem do UOL Esporte, a Casa dos Atletas, como é chamada pelo Corinthians e com capacidade para até 35 jogadores, possui licença emitida antes da mudança dos atletas do clube para o local, quando uma clínica médica ainda estava em funcionamento.

Por isso, a ocupação descrita na licença é para “Clínica e consultório médico e odontológico”, a H6, de acordo com tabela incluída em decreto da Prefeitura de São Paulo. A Casa dos Atletas teria de ter uma licença com categoria B1, ‘Hotel e assemelhado’ [veja os documentos abaixo].

Especialista comenta

Segundo especialistas em combate a incêndios ouvidos pela reportagem, a irregularidade existe porque a categoria B1 cobre o Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento, que consiste em minimizar os efeitos de um incêndio. Os materiais exigidos têm índice menor de propagação de fogo e fumaça.

“O B1 é mais rigoroso que o H6, porque cobre CMAR (Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento). Na prática, ali não foi regularizado. Antes era uma clínica, foi usado e está vigente o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). O antigo dono não deu baixa e está irregular. Estava alugado para ser uma clínica e alugaram de novo para ser um hotel. A situação é irregular, porque mudou a ocupação. Teriam de pedir um novo AVCB, que é de responsabilidade do proprietário e do responsável pelo uso”, disse um dos especialistas ouvidos pelo UOL Esporte.

Em nota enviada ao UOL Esporte na última sexta-feira (8), o Corinthians disse que “mantém atletas entre 14 e 17 anos em uma residência privativa de uso coletivo próxima ao clube”. Em novo contato nesta quarta-feira (13), o clube confirmou a diferença em relação às categorias da licença. Ainda segundo o Corinthians, a documentação será regularizada em até dez dias, incluindo todas as obras necessárias no local, além da instalação de aspersores de água “sprinklers”.

“A falta dessa medida traz o risco do uso sem medidas de materiais combustíveis e promover um incêndio de alta velocidade ou rápida propagação. Podemos comparar esse cenário com a tragédia no CT do Flamengo. Tudo indica que houve muito material combustível para uma propagação rápida”, afirmou Marcio Ferreira, outro especialista em combate a incêndios.

A Casa dos Atletas é alugada pelo Corinthians. Há, inclusive, um anúncio do imóvel em um site de uma imobiliária. Nas fotos obtidas pelo UOL Esporte, é possível ver o interior do imóvel, quando ainda funcionava a clínica médica, com salas de consulta e espera. Pessoas ouvidas disseram que o clube fez obras no local antes da ida dos jovens para lá.

A reportagem esteve no local na manhã desta quarta-feira e confirmou com moradores próximos que o Corinthians passou a usar o imóvel a partir de 2017. Em frente à residência, havia funcionários do clube paulista, incluindo um segurança. Segundo moradores, um ônibus leva os jovens até o Parque São Jorge, que fica a dois quilômetros da casa.

Confira a nota enviada pelo Corinthians

O Sport Club Corinthians Paulista informa que atualmente mantém seus atletas, com idades entre 14 e 17 anos, em uma residência privativa de uso coletivo, próxima ao Parque São Jorge, chamada Casa dos Atletas. A moradia, limitada a 35 adolescentes, passa por algumas adaptações – como a instalação de aspersores de água sprinklers – de forma a adequá-la, em 10 dias, à categoria da licença obtida para uso do local. O Centro de Treinamento da Base está em construção e irá disponibilizar todas as instalações necessárias de acordo com as mais rígidas normas de segurança previstas pela legislação brasileira.

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