Com música e brincadeiras, Nilton vira “parça” de Podolski no Japão

    • Instagram/Reprodução

      Nilton foi destaque do Vissel Kobe no dia em que o clube apresentou Podolski

      Nilton foi destaque do Vissel Kobe no dia em que o clube apresentou Podolski

    Jogador do Vissel Kobe desde junho do ano passado, Nilton ganhou a companhia de Lukas Podolski no clube japonês em março. Vizinho do alemão, o volante virou parceiro de resenha do atacante e mostrou a ele os gols de perna direita que o consagraram no futebol brasileiro. Agora, é cobrado para repeti-los pela equipe.

    Desde que chegou ao Vissel Kobe, Nilton balançou as redes cinco vezes. Curiosamente, nenhuma com o forte chute de pé direito que lhe é característico: foram quatro de cabeça e um de canhota. Nas resenhas com Podolski, de quem ficou amigo rapidamente, e com o resto do elenco, o brasileiro costuma mostrar vídeos de seus gols no Brasil.

    “Mostro para os japoneses meu gol contra o Santos, pelo Corinthians. Mostrei até para o Lukas, mais o pelo Cruzeiro contra o Botafogo, meio de chaleira, e também contra o Lanús, pela Libertadores, pelo Vasco. O pessoal até brinca que agora eu tenho que fazer aqui também”, contou Nilton, ao UOL Esporte.

    Além de Nilton e Podolski, o elenco do Vissel Kobe tem apenas mais três estrangeiros: os também brasileiros Wescley e Leandro e o sul-coreano Kim Seung-gyu. Por isso, a aproximação do alemão com o volante, conhecido nos clubes por onde passou por ser bom de resenha, aconteceu rapidamente – principalmente depois que os dois passaram a dividir o mesmo condomínio.

    “Não tem jeito, fui um dos primeiros a ter contato com ele. Ele mora no meu prédio, um prédio em que moram bastante estrangeiros. Já convidei ele para jogar uma sinuca, jogar um boliche, um vídeo game. Temos uma comunicação bacana. Ele sempre tem tradutor, e isso foi uma coisa que ajudou bastante. O contato está cada vez mais acontecendo”, revelou o brasileiro.

    Vissel Kobe/Divulgação

    Nilton, volante do Vissel Kobe, utiliza a camisa 7 no clube japonês

    Assim como Nilton, Podolski também fica conhecido por onde passa pela facilidade de relacionamento. A velocidade com que o alemão se sentiu íntimo dos japoneses do time impressiona até mesmo Nilton.

    “Ele é brincalhão. Tira onda, é até meio bruto, dá uns tapas no pessoal. Falo para ele ter calma. Ele dá uns chutes nos japoneses. Comigo ele ainda não fez, porque ele vê o tamanho da criança”, brincou o volante, aos risos.

    Música brasileira no vestiário

    Em negociação com Nelsinho Baptista, técnico brasileiro que foi demitido pelo Vissel Kobe nessa quarta-feira (16), Nilton ganhou o direito de virar o DJ do elenco. Além de tocar músicas japonesas para agradar aos jogadores do país, o brasileiro também faz a vontade de Podolski e inclui alguns raps americanos na playlist que toca no vestiário do clube.

    “A concentração aqui era diferente, todo mundo de fone, e ficava o maior silêncio. Não parece vestiário. O Nelsinho falou para eu comprar um fone, falou que não gostavam de música no vestiário. Parecia um funeral. Conversei com o grupo, eles gostaram da ideia, depois conversei com o Nelsinho. Hoje, eles até reclamam quando não tem música. Com a chegada do Lukas, comecei a colocar Tupac, Eminem”, relata.

    Instagram/Reprodução

    Claro que Nilton não deixa de fora as músicas brasileiras de que é fã. Na resenha de vestiário, ele aproveita para derrubar alguns estereótipos que o país leva para o exterior.

    “Só não coloco funk, mas coloco sertanejo, pagode de mesa, mesmo, e sambas enredos. Eles falam ‘Carnaval’, ‘samba’. O Lukas pede toda hora. Eu falo que Brasil não é só samba. Tem que ter respeito”, declarou.

    7 x 1 é assunto proibido

    Apesar da facilidade com que viraram parceiros, Nilton e Podolski têm um assunto proibido: o 7 a 1. Até agora, os dois ainda não falaram sobre a histórica derrota da seleção brasileira para a Alemanha na Copa do Mundo de 2014.

    “Não tivemos oportunidade de brincar ainda. Eu ia fazer um vídeo com ele brincando, mas desisti com medo da repercussão que isso pudesse ter no Brasil. A princípio acho que ele também tem receio de tocar no assunto”, disse o meio-campista.

    Caso o troco venha em 2018, no entanto, Podolski que se cuide…

    “Não tenha dúvidas de que eu vou para cima dele. Agora é chumbo grosso”, prometeu, aos risos.

    Olho no Brasil e carinho pelo Cruzeiro

    Douglas Magno / AFP

    Enquanto briga por uma melhor posição no Campeonato Japonês, já que o Vissel Kobe ocupa a 11ª colocação após 22 rodadas, Nilton não deixa de acompanhar o futebol brasileiro. O volante afirma que teve sondagens de Flamengo e São Paulo desde que se transferiu para o Japão e que torcedores de Cruzeiro, Corinthians, Vasco e Internacional costumam interagir em redes sociais pedindo seu retorno. Entre os quatro clubes que defendeu, o mais marcante para o jogador foi o mineiro.

    “Acho que não tem jeito. Tenho uma ligação forte com o Cruzeiro, clube em que conquistei títulos, fui premiado como melhor volante do Brasileiro. Mas tenho muito respeito pelo Vasco, pelo Corinthians e pelo Internacional. Os torcedores me mandam mensagens no Instagram e no Twitter pedindo para eu voltar. Fico feliz por deixar boas impressões. Foi uma coisa que coloquei na cabeça. Tenho filhos e quero deixar um legado”, afirmou.

    Se um dia Nilton voltar ao Brasil, quem contratá-lo pode esperar um jogador mais acostumado ao jogo vertical, fruto de sua adaptação ao futebol japonês.

    “Aqui o jogo é muito corrido, com uma velocidade e intensidade absurdas. Os jogadores correm 14, 15 quilômetros por jogo. No Brasil, é difícil ver isso. Tive que me adaptar. O meu time não joga com meias, joga com pontas. Por isso, tenho que dar piques de 70, 80 metros constantemente”, disse.

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