Com tempo para trabalhar, Cristóvão vê rejeição aumentar entre torcedores

    Cristóvão Borges voltou ao Corinthians como técnico e logo elogiou a torcida por estar mais paciente do que nos seus tempos de jogador, guardando as reclamações para os términos dos jogos. Nas duas últimas vezes em que atuou em Itaquera, no entanto, o técnico foi vaiado.

    Curiosamente, a queda de rendimento do Corinthians e o aumento da rejeição a Cristóvão Borges ocorreram no período que ele aguardava com ansiedade desde a sua chegada. O técnico teve as últimas três semanas livres para trabalhar a equipe para os jogos contra Chapecoense (vitória por 2 a 0), São Paulo (1 a 1) e Figueirense (1 a 1). Está sendo assim também antes de enfrentar o Internacional, no domingo, no Beira-Rio.

    Segundo Cristóvão, o tempo vago seria fundamental para incorporar um pouco da sua própria filosofia ao Corinthians que herdou de Tite, além de servir para recuperar jogadores lesionados. O baiano assumiu o time com a estratégia de modificar o menos possível o trabalho do antecessor, até porque tinha um curto espaço de preparação entre os compromissos do Campeonato Brasileiro.

    Logo em seu segundo jogo, contudo, Cristóvão começou a modificar o Corinthians. Precisou controlar a rejeição ao seu trabalho dentro do próprio elenco, pois incomodou o meia Guilherme ao deixá-lo na reserva para apostar em Luciano a partir da derrota para o Atlético-MG. A dúvida no comando do ataque, contudo, persistiu – Danilo também já executou a função, que foi de André na rodada passada.

    As vaias a Cristóvão em Itaquera ocorreram justamente quando Danilo substituiu Giovanni Augusto (atuava como um ponta com Tite e foi deslocado para o meio pelo novo treinador), que, diferentemente de boa parte do Brasileiro, estava bem diante do Figueirense. O técnico, entretanto, encarou a situação como “completamente normal”, já que o Corinthians estava perdendo por 1 a 0.

    Na partida anterior, “a história da vaia começou”, conforme delimitou Cristóvão. Contra o São Paulo, o público de Itaquera reprovou a troca do meia Marquinhos Gabriel pelo atacante Rildo. O técnico resignou-se e alegou que quem saiu estava desgastado, sem condições de proteger a defesa e continuar consistente ofensivamente. “Acontece.”

    Cristóvão terá tempo, o que sempre quis, para reconquistar a aceitação da torcida corintiana. Nesta semana, ele planeja estruturar o time para jogar novamente com Elias como segundo volante titular, na vaga que foi de Rodriguinho. A expectativa é de estar mais próximo de uma formação ideal até o próximo jogo como mandante.

    O Corinthians só voltará a atuar diante da sua torcida na segunda-feira de 8 de agosto, contra o Cruzeiro, mas no Pacaembu – a arena em Itaquera foi cedida à organização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro para ser utilizada no torneio de futebol. Antes, a equipe paulista encontrará o Atlético-PR, ex-clube de Cristóvão Borges, na Arena da Baixada.

    Veja Também