Corinthians tem situação financeira pior do que na gestão Dualib

    Após sete anos e meio de gestão de Andrés Sanchez e seus aliados, o Corinthians tem uma situação financeira pior do que na época em que o ex-presidente Alberto Dualib renunciou à presidência. Quem afirma é o diretor de finanças do clube, Emerson Piovezan, que também atuava naquela administração. Os números comprovam o que ele diz: a dívida dobrou no período.

    O problema financeiro corintiano ficou mais claro agora que o presidente Roberto de Andrade reconheceu que não poderá renovar com o principal jogador do time Paolo Guerrero. Outros atletas como Emerson Sheik também sairão do clube. Não é à toa.

    “Acho que a situação é pior (comparado com Dualib) porque naquela época você tinha dinheiro em caixa e tinha todos os recebíveis de venda de jogador e de receitas de televisão. Você tinha encargos, mas tinha caixa. Agora a situação está um pouco mais difícil”, contou Piovezan.

    A dívida corintiana dobrou na administração de Andrés e seu aliado Mario Gobbi: saltou de R$ 153 milhões (valor corrigido pela inflação), em outubro de 2007, para R$ 313,5 milhões ao final de 2014. Esse crescimento deu-se, principalmente, em débitos tributários porque Andrés não pagou impostos: representam mais da metade do passivo. Antes eram R$ 60 milhões.

    Houve um crescimento considerável de receita. Incluídas vendas de jogador, esse aumento foi de apenas 25% – lembre-se: o clube ganhou bastante com Willian em 2007. Excluídas as negociações, o salto foi de 150% ao atingir os R$ 258 milhões de 2014.

    A questão é que, além da falta de pagamento de impostos, houve um aumento considerável de despesas. Em 2014, o futebol consumiu 92% das rendas. Em 2007, eram 85%. Entre 2008 e 2012, o percentual era mais baixo em torno de 70%.

    Como diretor de futebol, o atual presidente Roberto Andrade ajudou a inflar esses gastos. Por isso, o futebol teve que cortar despesas de forma drástica já que boa parte das receitas de 2015 e 2016 estão comprometidas por antecipações feitas no ano passado.

    “O que temos que fazer é equilibrar a situação de recebíveis do clube com as despesas. Quero fazer isso até o final do ano. Acho que só teremos um alívio em 2017. Pelo menos até o primeiro trimestre de 2016 será muito difícil”, contou Piovezan.

    Quando assumiu o clube em 2007, Andrés prometeu um plano de recuperação do clube. Passados sete anos e meio, melhorou a infraestrutura com o CT, e com a Arena Corinthians (essa ainda precisa ser paga), e houve títulos importantes. Mas ele e seus aliados deterioraram as finanças corintianas em relação àquele período.

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