De sétima opção a titular: com ajuda de irmão, Romero volta a ter chance

    No dia 6 de maio, Ángel Romero estava em São Paulo e teve de assistir pela televisão ao duelo entre Guaraní e Corinthians, válido pelas oitavas de final da Taça Libertadores.

    O jogo era em Assunção, no Defensores del Chaco, estádio em que o atacante corintiano começou a se destacar desde garoto. Mesmo assim, ficou fora da lista de relacionados do técnico Tite e não pôde voltar ao Paraguai. Assim que soube da notícia, ligou para seu irmão e tentou buscar apoio com os mais próximos.

    Ouviu de Ariel, mais velho, que deveria ter paciência para esperar sua chance. Na visão da família, o garoto merecia ao menos uma oportunidade de mostrar seu potencial.

    Naquela ocasião, Romero era apenas a sétima opção de Tite para o ataque, atrás de Guerrero, Emerson, Mendoza, Vagner Love, Malcom e Luciano.

    O que Romero não sabia é que sua maior chance viria justamente num clássico. Sem Guerrero, que acertou com o Flamengo, o paraguaio é a aposta de Tite para enfrentar o Palmeiras neste domingo, às 16h (horário de Brasília), em Itaquera.

    – O Ángel sempre foi um garoto muito tranquilo, que nunca reclamou de nada. O que mais lhe deixou chateado no Corinthians foi não ter vindo ao Paraguai para o jogo contra o Guaraní. Demos muita força para ele, que passou a nos ligar todos os dias. Ele nunca quis deixar o clube, mesmo com as dificuldades – afirmou Ariel, por telefone.

    O irmão mais velho de Romero também é jogador de futebol. Aos 27 anos, Ariel tem sido o conselheiro de Ángel e também do gêmeo Óscar, que joga no Racing, da Argentina. Ambos têm 22 anos. O corintiano se apegou à família para não desistir do sonho de brilhar no Brasil.

    Romero se sentiu isolado no elenco desde que perdeu o espaço que tinha com Mano Menezes, ano passado – chegou a ser titular em boa parte do Campeonato Brasileiro. A saída de Lodeiro para o Boca Juniors foi outro baque. O uruguaio era seu companheiro de quarto e melhor amigo nas concentrações do clube.

    A timidez foi a principal característica detectada pela comissão técnica para Romero não decolar. Por isso, ficava muito abaixo da média dos companheiros nos treinos.

    A ausência na viagem ao Paraguai deu combustível extra ao atacante, que conversou com Tite. O técnico gostou da iniciativa e lhe prometeu mais chances. Além disso, Romero ficou próximo de Mendoza, novo amigo e também gringo. O colombiano era companheiro de quarto de Guerrero, que deixou o Timão e acertou com o Flamengo.

    No domingo seguinte ao duelo com o Guaraní, foi titular contra o Cruzeiro, quando o Corinthians poupou seus principais jogadores. O gol da vitória por 1 a 0 recuperou a confiança do paraguaio. Uma nova ligação a Ariel comprovou sua mudança de humor.

    – Nos falamos quase todos os dias. Depois do gol, ele estava muito mais animado, dizia que não parava de sorrir. Se o Ángel continuar assim, com essa característica, terá muito a fazer pelo Corinthians. Acho que ficar fora do jogo no Paraguai deixou meu irmão mais motivado – destacou o Romero mais velho.

    Depois do gol, Ángel ganhou espaço nos treinos e passou a trabalhar no time reserva – antes fazia atividades separadas com garotos da base. E aí, bastou esperar parte do desmanche recente: Guerrero foi para o Flamengo, Emerson não renovou, Malcom foi para a seleção brasileira sub-20, Luciano se machucou. Agora, o paraguaio tem cenário ideal para se firmar.

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