Em 4 anos, Corinthians perde quase tudo de Walter; ex-conselheiro tem 80%

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  • Danilo Lavieri/UOL Esporte

    Walter chegou ao Corinthians como aposta, em maio de 2013, e se firmou no grupo

    Walter chegou ao Corinthians como aposta, em maio de 2013, e se firmou no grupo

Um dos motivos para o Corinthians ter recusado a transferência de Walter ao São Paulo, na última semana, diz respeito ao baixo percentual de direitos econômicos. Os alvinegros, que adquiriram o goleiro da União Barbarense-SP há quatro anos, têm direito a só 5% dos valores de uma eventual negociação. A maior parte está ligada ao empresário e ex-conselheiro do clube, Fernando Garcia. 

Segundo documentação à qual a reportagem teve acesso, a empresa LFA Assessoria Esportiva, que pertence a Garcia, é dona de 80% dos direitos econômicos. A empresa Júlio Sports, ligada a Júlio Fressato, empresário do atleta, possui os 15% restantes. 

Dirigentes atuais e antigos do Corinthians, consultados pelo UOL Esporte, disseram não saber ao certo como se deu essa operação de transferência de direitos econômicos.

Walter chegou ao Parque São Jorge em maio de 2013 como aposta contestada para ser quinto goleiro, depois de ter sido rebaixado com a União Barbarense. Em pouco tempo, porém, mostrou qualidades, atropelou concorrentes e estreou com destaque. Construiu reputação de jogador respeitado no grupo, muito regular e cobiçado em outros clubes. 

Naquela altura, porém, o Corinthians, mesmo sem investir, tinha 30% de direitos econômicos de Walter. A Júlio Sports, por sua vez, conservava todo o restante e ofereceu uma opção de compra ao clube para adquirir mais 40%, o que não foi feito à época em que Mário Gobbi era presidente e o atual mandatário, Roberto de Andrade, era diretor de futebol. 

Já em 2014, registros apontam que a Júlio Sports passou a ter 15%, a LFA Assessoria ficou com 80% e ao Corinthians restaram 5%. Em entrevista ao Blog do Perrone, há um ano e meio, Fernando Garcia disse que investiu R$ 1,8 milhão para comprar os direitos de Walter. Procurado pela reportagem por sua assessoria de imprensa, o empresário não comentou as operações. 

Foi nessa mesma época que outra operação permitiu Fernando Garcia ter lucro elevado com os jogadores Matheus Pereira e Malcom e Guilherme Arana – este ainda pertence ao clube, mas é hoje o jogador mais cobiçado do Corinthians.  

Agente tentou negócio com SP, mas Corinthians vetou

Arquivo pessoal

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Fernando, ao centro, é irmão de Paulo Garcia (direita), candidato à presidência do Corinthians em eleições anteriores

Nas últimas duas semanas, Fernando Garcia buscou um negócio entre Corinthians e São Paulo pelo goleiro Walter. Segundo fontes ligadas às tratativas, dirigentes são-paulinos indicaram que fechariam a transferência por 1,5 milhão de euros (R$ 5,5 milhões). Mesmo com somente 5%, a direção corintiana fez valer sua posição de dono dos direitos federativos e vetou a operação.

Walter, pela primeira vez em muito tempo, estava disposto a deixar o Corinthians. Sem nenhum minuto no ano e diante da recuperação de Cássio, ele receberia aumento salarial de aproximadamente 35% no novo clube, além de luvas e a possibilidade de ser titular no Morumbi. Diante dos argumentos da direção corintiana, no entanto, ele aceitou ficar. O contrato atual, válido até dezembro de 2019, deve ser reformulado com um aumento ao jogador.

Empresário com maior influência dentro do elenco, Fernando Garcia deixou de ser conselheiro há aproximadamente dois anos, justamente porque o estatuto do Corinthians veta negociações com o clube para os membros do Conselho Deliberativo.

Mesmo com espaço reduzido em 2017 em relação a anos anteriores, Garcia participou da venda de Léo Jabá à Rússia, de Uendel ao Internacional, da operação que envolveu Clayson, Claudinho e Léo Artur com a Ponte Preta e ainda fez um acordo para quitar dívidas anteriores com o clube.

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