Emerson curte a grande fase: 'Tenho tudo a ver com o Corinthians'

    Vestiário do Pacaembu, quarta-feira. Sentado em uma maca tentando recuperar o fôlego, Emerson ouve de Tite elogios rasgados pela grande atuação na vitória sobre o Emelec que colocou o Corinthians nas quartas de final da Taça Libertadores. As palavras do treinador representavam naquele momento o que os mais de 34 mil alvinegros presentes no estádio gostariam de dizer depois daquela exibição. De Sheik, ele não tem nada. É como um guerreiro que o veterano atacante entra no mata-mata como a grande arma do time e tenta levá-lo ao tão sonhado título sul-americano.

    – Eu gosto de competir, mas sempre com lealdade. Ser aguerrido é meu estilo. Tenho tudo a ver com o Corinthians, com a história do clube, com a torcida. Encaixou. Sou um jogador diferente do Jorge Henrique, Willian, Elton, Gilinho. Naquele pedaço de campo que tenho, tento uma jogada pessoal. O torcedor gosta dessa entrega, e eu estou muito feliz aqui – afirmou.

    A Fiel gosta tanto que não se conteve. Substituído aos 41 minutos do segundo tempo, já quase sem forças após ser o principal nome da equipe em campo, Emerson foi aplaudido efusivamente pela torcida. Momentos que fazem o jogador, mesmo aos 33 anos, se sentir um garoto em início de carreira.

    – Sair do gramado aplaudido por tanta gente é muito legal. Sei que esse é o meu trabalho, mas, quando tem o reconhecimento, fica melhor. Eu vejo no Twitter as mensagens de incentivo, os parabéns, as pessoas dizendo que estou arrebentando, que sou a cara do Corinthians. É o maior barato!

    Emerson acredita que a determinação do time e a chegada às quartas de final do torneio mudam a forma de os torcedores encararem o torneio. Apesar de toda a pressão pela conquista, o jogador entende que uma queda neste momento da competição não desencadearia uma grande crise, como aconteceu em 2011 – torcedores invadiram o CT Joaquim Grava para apedrejar os carros dos atletas após a eliminação na fase prévia diante do Tolima-COL

    – O torcedor não aceitava o Corinthians passar da fase de grupos e sair. E isso vinha acontecendo há muitos anos. Agora, o torcedor entende que esse time é bom para caramba e que não vai ser fácil ganhar dele. Se acontecer algo de errado agora será mais aceitável. As cobranças virão, mas o torcedor entende que agora só ficaram os cobras – disse.

    O próximo adversário é o Vasco da Gama, grande rival do Timão na conquista do título brasileiro do ano passado. Sheik garante que o retrospecto particular diante do clube carioca é favorável, mas alerta para a qualidade do também veterano Felipe, um dos líderes do elenco – o vencedor deste confronto enfrentará Velez-ARG ou Santos.

    – Eu ganhei tudo que disputei no Rio. Acho que estou bem na fita no Rio. Se botar na balança, estou bem contra o Vasco também. Mas é um outro jogo, uma outra competição, com clubes diferentes. O Vasco tem o Felipe, que jogou comigo no Qatar. Ele vai ficar 89 minutos sem tocar na bola, mas, quando tocar, vai acabar com o nosso sonho.

    Apesar do bom momento, há também motivos de preocupação. Artilheiro do Corinthians na temporada, com cinco gols (ao lado de Danilo, Paulinho e Willian), Emerson admite que o Timão sente falta de um centroavante. Liedson, referência na campanha do título brasileiro, não consegue jogar em alto nível. Contra os equatorianos, nenhum dos três gols saiu dos homens de frente.

    – Nós temos criado muitas chances, mas as bolas não estão entrando. Não sei se falta um cara. Tenho certeza de que, se o Liedson estivesse em um momento bom, os números seriam melhores.

    Preocupação com o ataque, sim, mas nada que afete a confiança em conquistar o título pela primeira vez na história do clube.

    – O grupo é muito bom e tem cara de que vai chegar para brigar pelo título. Se vai ser campeão fica difícil falar. Acho que os torcedores merecem. Seria um presentão para eles e para nós – projetou.

    Reportagem: Globo Esporte

    Veja Também