Ex-Corinthians e Fla que dirige Uber se surpreende com repercussão: “Não entendo”

    Um dos protagonistas do título carioca do Flamengo no ano de 2004, Roger Guerreiro, apelido carinhoso que ganhou da torcida rubro-negra, foi assunto no cenário esportivo nos últimos dias. Isso porque, aos 35 anos e desiludido com o futebol, passou a exercer a profissão de motorista no aplicativo Uber. Só que tamanha repercussão por conta da nova função, que não tem o glamour e os holofotes de um jogador de futebol, o deixou sem entender.

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    Em entrevista exclusiva ao FOXSports.com.br, o lateral-esquerdo, que se naturalizou polonês após fazer sucesso por lá, chegando a disputar uma Eurocopa, contou como passou a integrar o sistema da Uber nas horas vagas. Após retornar ao Brasil em 2013 e rodar por pequenos clubes do país, teve sua última tentativa no Campeonato Goiano, pela Rio Verde, e acabou desiludido:

    “Eu joguei este ano ainda pelo Rio Verde-GO, joguei o Campeonato Goiano, e foi mais uma equipe que não me pagou. Tenho algumas ações trabalhistas contra alguns clubes aqui no Brasil, até uma no exterior, na Grécia, contra o AEK, e há muito tempo que eu venho jogando e não venho recebendo salários. E tendo família para sustentar, a gente tem que encontrar maneiras de trazer o sustento para casa. Na verdade eu não sou motorista de aplicativo frequente, mas quando estou sem nada para fazer, com tempo livre, eu ligo o aplicativo e faço algumas corridas para complementar renda, mas já tem até um tempinho que eu não tenho feito porque eu estou com um outro projeto de dar treinos de futebol para crianças”, afirmou Roger, que considerou como exagerada a repercussão feita pela troca de profissão:

    “Não, na verdade eu já sabia desses aplicativos e até mesmo enquanto eu ainda estava jogando lá, tenho alguns meus que já faziam há algum tempo, e me comentaram e eu achei uma boa. Como eu falei, no meu tempo livre, não tinha nada para fazer, você vai lá, faz as corridas e ganha dinheiro. Acho uma coisa tão normal, mas deu uma repercussão tão grande, não entendi muito porque, mas de qualquer forma eu levo tudo por um lado positivo”.

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    Crédito da foto: MLADEN ANTONOV / AFP

    Em 2004, Roger chegou ao Flamengo para compor o elenco, mas acabou como protagonista ao lado do meia Felipe na conquista do Carioca sobre o Vasco. Só que foi diante do Fluminense que o jogador chamou atenção de todos. Fez gols no rival, um inclusive que deu o título da Taça Guanabara daquele ano. E o caneco trouxe o glamour e a mídia que o atleta teve no período na Polônia. Só que a volta ao Brasil não foi a mais esperada. Salários atrasados, times menores e uma desilusão com o futebol, algo que foi explicado pelo lateral:

    “Desilusão vem principalmente no futebol brasileiro, porque eu tenho cinco ações trabalhistas e quatro são aqui no Brasil, só uma, que inclusive é a maior delas, que eu tenho lá na Grécia. É triste, né? Eu fiz o meu pé de meia, já tive uma condição muito melhor que a que eu tenho hoje, que é uma condição relativamente boa, mas já tive muito melhor, só que imagina você jogando cinco anos praticamente de graça, você recebendo só o primeiro mês, depois não recebendo mais, então você tem que tirar do seu pé de meia para poder pagar suas contas, as contas vêm mensalmente. E daí acabei ficando um pouco desiludido”, afirma Roger, que não destaca apenas a parte financeira para dar um tempo na carreira:

    “Eu vivi os dois lados da bola, o lado dos times grandes, do glamour, e o lado dos clubes pequenos, você chegar nos clubes e de repente não ter nem luz no vestiário do time, não ter nem água quente no chuveiro, aquela refeição bem precária para os atletas, e aí acabou desanimando um pouco, e de acordo com a idade também, a gente sabe que depois dos 30 o mercado fecha muito para o jogador de futebol, e é aquela coisa né, existe vida depois do futebol”, finalizou

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