Ex-Corinthians, Felipe brilha na Europa e pensa em virar garoto-propaganda

    • Miguel Riopa/AFP

      Felipe comemora gol marcado pelo Porto sobre o Rio Ave pelo Português

      Felipe comemora gol marcado pelo Porto sobre o Rio Ave pelo Português

    Aos 28 anos de idade, Felipe é um dos destaques do Porto que venceu o Monaco por 3 a 0 pela última rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões, na casa do adversário, em um dos jogos mais difíceis da chave. O bom momento coroa a acentuada curva de evolução do zagueiro, que chegou a ser apontado como elo fraco do elenco do Corinthians, e faz com que o jogador pense em aproveitar a boa imagem para se tornar garoto-propaganda de produtos.

    Felipe trocou o Bragantino pelo Corinthians em 2012. Em sua primeira temporada pelo clube paulistano, fez parte do elenco inscrito para o Mundial de Clubes, mas disputou somente quatro jogos no ano. Em 2013, cavou um pouco mais de espaço e fez 14 partidas, marcando seu primeiro gol pela equipe alvinegra em partida contra o Ituano.

    Em 2014, quando parecia que Felipe conquistaria ainda mais espaço no Corinthians, o jogador teve atuações criticadas e viu Cleber e Gil tomarem conta da zaga titular. Se pareria que a passagem do zagueiro pelo clube estava comprometida, ali começou a revolução na carreira do defensor, que no ano seguinte já era peça chave do time.

    Em 2015, na campanha do título brasileiro do Corinthians, Felipe já havia sido considerado um dos melhores zagueiros do campeonato. Em 2016, entrou na seleção do Campeonato Paulista, em eleição promovida pela Federação Paulista, e foi convocado por Dunga para um jogo da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias.

    “Quando comecei a jogar com regularidade no Corinthians, em 2015, já estava pronto. Me deram essa confiança, e acabamos fazendo uma excelente temporada. Fomos a melhor defesa, fomos campeões com alguma antecedência, e isso me trouxe alguma tranquilidade. Como passei por diversas situações no Corinthians, aprendi a absorver muita coisa. Quando cheguei ao Porto, já tinha essa maturidade e aproveitei-a da melhor forma”, disse Felipe, ao UOL Esporte.

    De acordo com o jogador, a mudança de elo fraco de um clube brasileiro para destaque em uma equipe da Europa tem dois segredos: dedicação e maturidade.

    “O mais marcante é trabalhar. Não há nada melhor. Se estivermos com a cabeça boa e fizermos o nosso trabalho, é mais fácil chegarmos aos nossos objetivos. Quando saí do Bragantino e cheguei ao Corinthians, era um pouco imaturo. Sabia que tinha de evoluir muito para poder jogar no mais alto nível. A diretoria e a comissão técnica do Corinthians me deram essa confiança, que eu abracei com todas as minhas forças. Entre 2012 e 2014, tentei corrigir tudo isso, e comecei a jogar em 2015. Eles sentiram que eu já estava pronto, abracei a oportunidade, e graças a Deus consegui atingir um clube de alto nível da Europa, que é o Porto”, declarou.

    Brilho imediato na Europa

    Divulgação/Porto

    Felipe em sua apresentação como jogador do Porto em 2016

    Ao contrário do que aconteceu em seus primeiros anos no Corinthians, Felipe já chegou ao Porto assumindo a titularidade na zaga do time. Desde 2016, ano em que se transferiu para o clube, o jogador já disputou 55 jogos oficiais pelo clube, marcando três gols e acumulando 32 vitórias, 16 empates e sete derrotas. A equipe não sofreu gol em 31 destas partidas.

    Na temporada 2016/2017, sob o comando do técnico Nuno Espírito Santo, Felipe foi titular em 45 das 49 partidas possíveis – estava suspenso em uma e foi poupado nas outras três. O brasileiro não foi substituído em nenhuma delas, e entrou na seleção do Português em eleição promovida pela Uefa.

    Nesta temporada, o técnico mudou, mas não a situação de Felipe. Com Sérgio Conceição, o zagueiro continua como titular do porto, jogando os 90 minutos de todas as partidas da equipe, que lidera o Português. O time chegou a ficar 530 sem tomar gols, melhor marca atingida desde a temporada 1983/1984.

    Segundo Felipe, a maior velocidade do jogo em Portugal é a diferença que mais exigiu adaptação para seu sucesso pelo clube.

    “O futebol europeu tem uma dinâmica muito grande. É muito mais rápido, há contra-ataques o tempo inteiro, a bola está sempre rolando… isso requer muita concentração o tempo inteiro. No Brasil, o futebol é mais jogado, mais de posse de bola e de paciência. Tem essas diferenças, mas não sei se é possível avaliar se é mais fácil ou mais difícil. Depende da adaptação de cada atleta. No começo, achei muito intenso, e tive de me preparar muito bem fisicamente para poder aguentar. Hoje, já estou totalmente adaptado”, relatou.

    Sucesso também fora de campo

     

    Estilo do dia calçando @ushindi.shoes nos pés

    Uma publicação compartilhada por Felipe Augusto (@felipe_augusto28)

     

     

    em

    A boa fase de Felipe em campo a boa imagem que o jogador carrega e a sua fama de galã fazem com que o jogador pense em seguir carreira como modelo e garoto-propaganda de produtos. Tudo começou por meio do Instagram do jogador, que tem mais de 283 mil seguidores.

    Felipe usou sua conta para anunciar uma marca de sapatos. A receptividade da postagem impressionou o zagueiro: foram mais de 13 mil curtidas e muitos comentários, a maioria deles positivos.

    O sucesso da postagem faz com que Felipe pense em investir na área. Além de jogador de futebol, o zagueiro pensa também em ganhar a vida como modelo.

    E a seleção?

    Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

    Tite e Felipe conversam durante treino do Corinthians em março de 2016

    Foi a serviço de Tite que Felipe começou sua grande evolução no Corinthians. O técnico, hoje na seleção brasileira, sempre elogiou o zagueiro quando teve oportunidade. No entanto, desde que assumiu a equipe nacional, o treinador já chamou oito jogadores para a posição, sem ainda ter recorrido ao ex-comandado.

    Restando apenas convocações para amistosos antes da Copa, Felipe mantém a esperança e promete trabalhar para estar pronto caso seja convocado. Mas faz um adendo: quer chegar à seleção por sua qualidade, e não por sua relação com Tite.

    “O treinador tem a função de ver os jogadores em alto nível e escolher aqueles que melhor podem defender o país, o que é de grande responsabilidade. Creio que o Tite tem convocado muito bem. Estou fazendo o meu trabalho na máxima intensidade para que se um dia for chamado esteja lá pelo meu futebol e não porque já trabalhámos juntos no Corinthians ou pela nossa amizade. Tenho de demonstrar isso a cada jogo e a cada treino. É do treino que saem as boas exibições nos jogos, e se o Porto estiver bem e continuar a somar boas exibições como até agora, isso é o mais importante”, projetou.

    Drama pessoal superado

    Shaun Botterill/Getty Images

    Felipe, do Porto, marca Jamie Vardy, do Leicester, pela Liga dos Campeões

    Quando Felipe veio ao Brasil para passar férias ao fim da temporada 2016/2017, sua avó estava doente, e o zagueiro fez repetidas visitas a ela no hospital. Sua transferência para o Porto representou a primeira vez que o jogador se viu obrigado a passar tampo tempo longe dela. Depois disso, já com o jogador de volta a Portugal, ele recebeu a notícia da morte de sua parente.

    Para começar bem a temporada em meio ao luto, Felipe contou com a ajuda da família, especialmente do pai.

    “Tentei não passar essa imagem, mas a verdade é que estava sofrendo muito com a morte da minha avó. Tentei fazer o meu trabalho, absorver da melhor forma, sempre conversando com a minha família. O meu pai estava naturalmente abatido, mas procurou não me passar essa tristeza, porque sabe que a minha profissão exige que a cabeça esteja sempre concentrada para fazer um bom trabalho. Sempre lembrava muito da minha avó. Sou um ser humano, mas tentei não me render a essa fraqueza, para não me afetar no dia-a-dia”, contou.

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