Ex-SP virou estrela após decidir semi de Brasileiro e parou até na Hebe

    Meia com passagens por São Paulo, Corinthians e Atlético-MG, Éverton viveu um dos auges de sua carreira em 1981, justamente o ano em que foi contratado pelo Tricolor paulista. O São Paulo tinha o Botafogo pela frente nas semifinais do Campeonato Brasileiro e já havia perdido o jogo de ida, no Maracanã, por 1 a 0. Ainda saiu levando 2 a 0 no jogo de volta, no Morumbi, mas Serginho Chulapa e Éverton, com dois gols, viraram a partida para 3 a 2 e colocaram o time comandado por Carlos Alberto Silva na decisão – seria derrotado pelo Grêmio na sequência.

    A partida feita por Éverton, porém, serviu-lhe para ter um salto na carreira. Reserva, ele entrou durante o jogo, marcou um golaço de fora da área (2 a 2) e depois fez outro gol (da virada) que fez explodir o Morumbi – que contou com quase 100 mil pessoas. A grande atuação lhe rendeu dias de fama e até uma aparição no programa da Hebe Camargo, então na Bandeirantes.

    Arquivo pessoal

    “Nossa senhora, sô, eu dei entrevista para Deus, para todo mundo. Eu fui na Hebe Camargo, que me entrevistou, eu fui no Osmar Santos, da Rádio Globo”, recorda Éverton, na época ainda com 21 anos de idade e passagem apenas pelo Londrina-PR em times profissionais. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o moço nascido em Florestópolis (PR) que hoje trabalha em BH como coordenador técnico das categorias de base do Atlético-MG (até 15 anos) lembra que, por muito pouco, não foi parar no Palmeiras. “Eu estava vendido para o Palmeiras. O presidente do Londrina tinha feito o negócio, mas parece que não foi muito claro, daí não deu certo, revisaram como seria a minha venda e encontraram algumas coisas erradas. Houve um reboliço e daí o São Paulo aproveitou e o treinador Carlos Alberto Silva aprovou a minha contratação, em janeiro de 81”, conta.

    “No Londrina eu fiz grandes jogos, fui artilheiro e tal, mas o jogo de maior destaque no cenário nacional foi esse: fiz aqueles dois gols na semifinal do Brasileiro contra o Botafogo e aquilo ali me deu uma força muito grande na minha carreira. Agora que eu estou mais experiente e mais velho, e eu falo assim: o São Paulo foi o vestibular da minha carreira, tipo, se eu ia para frente ou para trás… Então aquele jogo foi marcante na minha carreira por causa disso. Era uma rivalidade grande entre São Paulo-Rio. No Rio de Janeiro nós até perdemos para o Botafogo, gol do meu amigo daqui, o Marcelo Oliveira [hoje técnico], ele fez o gol lá no Maracanã, e depois no Morumbi foi 3 a 2 para gente; eu fiz o segundo e o terceiro gol”, acrescenta Éverton.

    Defendeu o Corinthians para realizar sonho do pai

    Depois de passar por Guarani (1983) e Atlético-MG (1984 a 1987), Éverton chegou ao Corinthians em 1987. Ele lembra que recebeu uma proposta melhor para defender o Grêmio, mas optou pelo clube paulista para realizar um sonho do pai, corintiano roxo.

    “O meu pai, já falecido na época, tinha o sonho de me ver jogando no Corinthians. Ele era corintiano roxo. E na época estavam na sede do Atlético-MG um diretor do Grêmio e diretores do Corinthians… Perdi dinheiro na época, foram coisas de luvas, mas perdi para satisfazer o sonho do meu pai. Só que ele não me viu eu jogar no Corinthians, faleceu em 1986… Ele me viu um pouco no Atlético-MG, no Londrina ele me acompanhava direto, só que ele não ficou sabendo do meu acerto com o Corinthians. Mas eu sabia que era o sonho dele e por isso perdi dinheiro e aceitei jogar no Corinthians. Fui vice paulista em 87 e campeão paulista em 88”, diz.

    Fez a ‘maior cag…’ da carreira ao ir para o Porto

    Em 1988, chegou a hora de Éverton defender, pela primeira vez, um clube do exterior. Ele deixou o Corinthians para jogar no Porto, de Portugal, mas até hoje se arrepende da escolha.

    “Foi a maior cagada que eu fiz, vamos falar o verbo certo. Por quê? O Porto é o famosão lá, e não é sacanagem, não, e naquela época meu irmão falou assim: ‘Está tudo certo com o Belenense, de Portugal’, e aí nós sentamos eu, meu irmão, Corinthians e Belenense, e eu tinha acertado tudo com o Belenense… Daí fomos para a final contra o Guarani, eu joguei mais ou menos, me machuquei na final, e fomos campeões, e eu fiz um bom campeonato, em 88. Depois ligou um cara do Porto para mim, foi lá no meu apartamento e falou assim: ‘Nós vamos dobrar a proposta para você'”, lembra.

    “Naquela época eram 3 mil dólares e foi para 6, sô, mais luvas, tudo dobrou, e eu meti o olho grande, e aí eu fiz cagada, por quê? Primeiro começou tudo errado, e depois eu não consegui jogar nada; três anos que eu cumpri o meu contrato eu só joguei um pouco no time titular. No Porto só tinha nego da seleção portuguesa, time campeão do mundo em 87, e só tinham jogadores bons de bola, e eu sempre fui titular no Brasil, e eu falei: ‘Putz, fiz cagada’, mas eu cumpri o contrato, tudo direitinho. O [lado] financeiro compensou, claro, mas profissionalmente foi péssimo, porque no Belenense eu ia jogar como titular”, analisa Éverton.

    15 anos na base do Atlético-MG e um sonho a ser realizado

    Hoje coordenador técnico das categorias de base do Atlético-MG há 15 anos, Éverton guarda um sonho na atual profissão: revelar um grande craque (camisa 9 ou 10) para o mundo. Ele ainda conta quais jogadores do profissional do time mineiro já passaram pelas suas mãos.

    Arquivo pessoal

    “Teve um jogador que começou comigo no mirim, o Gabriel, e tem o Yago, que está no profissional. Agora o meu sonho é revelar um camisa 9 e um 10. Esteve aqui comigo o Dodô, ele é meia e foi emprestado para a Chapecoense, mas o caminho até o profissional é complicado. O cara tem que estar firme no extracampo, tem que aguentar firme as críticas. Os problemas são as más companhia. Às vezes um menino bom que a gente tomou conta até o sub-15 depois passa para o juvenil e já tem um vício, uma má companhia, é perigoso: bebida, drogas, mulheres, noitadas, e não tem como controlá-los, não tem jeito, mas o meu sonho ainda é ver um camisa 9, um camisa 10, que faça gol, titular, que faça mesmo a alegria do torcedor”, revela Éverton, que, ao menos por enquanto, prefere continuar com a mesma profissão.

    “Eu já tive proposta para avançar na área de treinador, mas eu penso que me adapto melhor nesse trabalho que faço hoje, o de coordenação”, completa.

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