Polêmico e rebelde, Sheik sustenta posto de ídolo inabalável no Corinthians

    • Ricardo Nogueira/Folhapress

      Sheik defendeu o Corinthians em 158 jogos, com 26 gols marcados

      Sheik defendeu o Corinthians em 158 jogos, com 26 gols marcados

    Decisivo, artilheiro em jogos grandes, irreverente e dono de uma personalidade pouco comum no futebol. Foi por meio dessas características que o atacante Emerson Sheik ganhou o posto de ídolo corintiano nos últimos anos. Neste sábado, essa relação ganhará mais um capítulo durante o duelo entre Corinthians e Ponte Preta em Itaquera.

    Na véspera da partida válida pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro, o jogador de 38 anos ganhou o apoio de Fábio Carille. “A torcida tem de ter carinho por ele ter honrado a camisa do Corinthians”, disse o treinador ao falar sobre o comportamento da torcida alvinegra no primeiro reencontro com Sheik.

    O sentimento do atual comandante do Corinthians, que acompanhou de perto toda a trajetória do atleta no clube, estende-se à maioria dos torcedores do time paulista. Um exemplo pôde ser visto durante essa semana, quando as redes sociais do jogador foram invadidas pela torcida. O apoio certamente deve se repetir nas arquibancadas da Arena neste sábado.

    Polêmico e rebelde fora de campo, Sheik sustenta, mesmo depois de ver sua passagem pelo Corinthians chegar ao fim em junho de 2015. Desde então, o atacante enfrentou o ex-time apenas uma vez, com a camisa do Flamengo, no Maracanã, em outubro passado.

    Ao longo de três temporadas seguidas no Corinthians e uma breve passagem de cinco meses pelo Botafogo em 2014, Sheik acumulou gols decisivos, polêmicas e alguns casos de indisciplina fora de campo – nada que abalasse profundamente a boa relação com a torcida.

    AFP

    Sheik marcou dois contra o Boca

    Sheik tornou-se ídolo natural após as apresentações históricas na reta final da Libertadores. O atacante fez um gol contra o Santos na semifinal, deu a assistência para Romarinho na primeira final e marcou duas vezes na decisão diante do Boca Juniors no Pacaembu. 

    O pós-Libertadores

    O desempenho no segundo semestre de 2012 de Sheik ficou bem abaixo do apresentado meses antes. Inconstante e sem dedicação, o jogador quase perdeu a vaga de titular no Mundial. Tite, nesse cenário, chegou a sofrer pressão para escalar o argentino Martínez ou o amuleto Romarinho.

    Em vão. Embora não tenha sido decisivo como na Libertadores, Sheik, dono de uma personalidade admirada por Tite, mostrou mais uma vez que ainda era importante no esquema do treinador.

    Em 2013, Sheik voltou a encontrar dificuldades em campo – foram apenas cinco gols em 59 jogos, contra 12 em 39 partidas da temporada 2012. Atrelado a isso vieram os casos de indisciplina, com atrasos e regalias concedidas por pessoas importantes do clube e próximas a ele – apesar disso, o jogador ganhou um novo contrato de dois anos,

    Na ocasião, Tite o protegia bastante, mas as relações com o ex-presidente Andrés Sanches, o preparador físico Fábio Mahseredjian e o gerente de futebol Edu Gaspar ajudavam nessa relação entre técnico e jogador, encerrada com a chegada de Mano Menezes em 2014.

    Flávio Florido/UOL

    Sheik em treino realizado no Japão: titular e importante também no Mundial

    Não só de gols viveu Sheik

    Decisivo na Libertadores, Sheik também mostrou fora de campo uma habilidade incomum no futebol. Irreverente, o atacante sempre mostrou facilidade em dar declarações. Algumas vezes, por exemplo, usou a linguagem do torcedor – ele chegou a provocar o rival São Paulo em algumas oportunidades (fez isso até mesmo quando já defendia a Ponte Preta).

    A irreverência, entretanto, gerou um capítulo controverso na relação com os torcedores. No segundo semestre de 2013, Sheik postou uma foto dando um selinho no dono de um restaurante em uma área nobre da cidade de São Paulo.

    A atitude gerou fortes protestos de uma das torcidas organizadas do clube. Integrantes foram até o CT Joaquim Grava para cobrá-lo. Na ocasião, o atleta chegou a se reunir com alguns torcedores.

    Sheik teve um lampejo em 2015

    Leonardo Soares/UOL

    Sheik ao lado do amigo Andrés Sanchez

    O atacante deixou o Corinthians rumo ao Botafogo em abril de 2014, depois de seguidos episódios de indisciplina fora de campo. Com Mano no comando, o empréstimo apresentou-se como uma saída. No começo de 2015, entretanto, Sheik voltou ao clube paulista.

    No reencontro com Tite e a torcida, o atleta brilhou contra o Once Caldas na pré-Libertadores ao marcar um gol nos primeiros segundos de jogo. A boa fase, porém, durou pouco. Sheik não atuou na fase de mata-mata da competição continental, tampouco na do Campeonato Paulista.

    Diante do cenário, a diretoria corintiana decidiu não renovar o contrato do atacante, que tinha 36 anos à época. Após uma passagem tímida pelo Flamengo, que chegou ao fim em dezembro passado, o atacante fez juras de amor ao clube. A diretoria, no entanto, descartou o retorno, mesmo com declarações de Carille de apoio à contratação.

    FICHA TÉCNICA

    CORINTHIANS X PONTE PRETA

    Data: 8 de julho de 2017, sábado
    Horário: 19h (de Brasília)
    Local: Arena Corinthians, em São Paulo (SP)
    Competição: Campeonato Brasileiro (12ª rodada)
    Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (MG)
    Auxiliares: Guilherme Dias Camilo e Pablo Almeida da Costa (ambos de MG)

    CORINTHIANS: Cássio; Léo Príncipe, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel e Maycon, Jadson, Rodriguinho e Romero; Jô. Técnico: Fábio Carille

    PONTE PRETA: Aranha; Nino Paraíba, Marllon, Rodrigo e Fernandinho; Fernando Bob, Jádson, Elton e Renato Cajá; Lucca e Emerson Sheik. Técnico: Gilson Kleina

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