‘Preferi o Corinthians ao Milan’, revela herói de time alemão

    A passagem do zagueiro Cleber Janderson Pereira Reis pelo Corinthians durou pouco mais de um ano, mas foi suficiente para deixar muitas saudades nos torcedores alvinegros. Ainda mais porque o zagueiro abriu mão da oportunidade de jogar em um dos maiores clubes da Europa só para vestir a camisa corintiana.

    A revelação foi feita em entrevista ao ESPN.com.br. Quando ainda estava na Ponte Preta, clube no qual se destacou, ele recebeu de seu empresário uma proposta oficial de um time sete vezes campeão da Uefa Champions League, mas ignorou. Tudo pela vontade de trabalhar com o técnico Tite no Parque São Jorge.

    “Meu empresário colocou na minha frente propostas do Internacional, do São Paulo, do Basel [Suíça], do Corinthians… E do Milan! Conversei com ele, com a minha família e escolhi o Corinthians, porque é um time que eu gosto muito e que tinha o Tite, que é um cara que admiro demais e com quem foi um prazer trabalhar. Na época, pensei: ‘Não quero ir embora do Brasil, quero defender o Corinthians, vamos ver no que vai dar'”, contou.

    No time da capital paulista, Cleber fez boa dupla de zaga com Gil e foi titular tanto com Tite quanto com Mano Menezes, que assumiu depois. Dos tempos de atleta corintiano, só guardou boas memórias.

    “Tive uma boa passagem, na minha visão, e trabalhei com caras sensacionais. O Corinthians me abraçou, amei vestir essa camisa. Fora que o pessoal que eu joguei era muito legal, todo mundo ‘cobra criada’, um pessoal do bem. Não tinha como ficar triste lá, era todo dia dando risada. Sempre chegava alegre, quando um dia eu estava triste o pessoal ia lá, se preocupava coma gente, um apoiando o outro, um ambiente família. Não tem coisa melhor”, recorda.

    Jogando em alto nível, não demorou para o baiano de 24 anos, nascido em São Francisco do Conde, chamar novamente a atenção do futebol europeu. Em agosto de 2014, ele se despediu do Parque São Jorge e acertou com o tradicional Hamburgo, da Alemanha, por quatro temporadas.

    Mal sabia ele que seria o início de uma grande aventura…

    Zagueiro vai pro ataque e vira herói

    Em sua temporada de estreia pela equipe na Bundesliga, Cleber alternou entre a titularidade e o banco, em meio à campanha irregular do Hamburgo, que terminou o campeonato precisando jogar o playoff do rebaixamento contra o Karlsruher, da segunda divisão, para tentar evitar a primeira queda de sua história.

    “Eu não sabia nem que existia esse negócio de repescagem. Quando me contaram, pensei: ‘Vixe, Maria, vai ser mais difícil que eu pensava’ (risos)”, diverte-se o zagueiro.

    No jogo de ida, empate em casa por 1 a 1, deixando a situação da equipe tricolor ainda mais complicada. Dias depois, o Hamburgo entrou em campo na casa do adversário muito pressionado, ainda mais com o estádio lotado por 27.986 torcedores. Para piorar, faltando 12 minutos para o fim do jogo, os anfitriões fazem 1 a 0.

    Parecia que a queda era inevitável.

    Cleber, que havia entrado nos minutos finais, viu o chileno Marcelo Díaz ajeitar a bola na entrada da área, já aos 46 do segundo tempo, e respirar fundo para tentar salvar sua equipe. Quando o meia correu para a bola, o estádio ficou em silêncio. Ela viajou e encontrou o ângulo do goleiro Orlishausen, que ficou apenas olhando. O duelo iria para a prorrogação.

    E foi aí que o baiano virou o herói do dia.

    No desespero, o técnico Bruno Labbadia chamou o defensor e deu a ordem que mudaria o jogo: Cleber iria jogar no ataque durante a prorrogação.

    “Durante a semana, ele falou pra mim: ‘O Cleber é bom, faz gol de cabeça, sabe chutar. Vou colocar ele na frente’. Eu achei que ele estava brincado (risos). Aí os caras falaram pra me colocar no ataque e ele concordou. Nunca tinha jogado na frente, a não ser nas peladas em Salvador, brincando com meus amigos”, narrou.

    Faltando cinco minutos para o fim da prorrogação, o brasileiro recebeu na grande área. Meio sem jeito, tentou um chute a gol, mas acabou achando o Nico Müller completamente livre na pequena área. O atacante empurrou para as redes e manteve na condição de único time que nunca foi rebaixado no Campeonato Alemão.

    Após tanta tensão, hoje Cleber tira onda ao se lembrar do jogo.

    “Virei centroavante agora, rapaz, mudei de posição (risos). Quando o técnico me colocou, falou: ‘Você vai ser meu nem número 9’. Eu falei: ‘Pronto, acabou coma minha carreira (risos)’. Ainda bem que deu tudo certo! Dei passe pra gol e estou com moral: um jogo na frente e uma assistência, tô bem demais (risos)”, sorri.

    No último lance da partida, o árbitro Manuel Gräfe ainda assinalou um pênalti (que, segundo Cleber, nem um cego teria marcado) para o Karlsruhe, mas o goleiro Adler defendeu e assegurou de vez a permanência do clube tricolor na primeira divisão. Após o duelo, os atletas comemoraram muito a salvação da degola, com direito a cervejada no vestiário.

    O brasileiro, contudo, preferiu ficar na dele.

    “Todo mundo se abraçou, para alguns parecia um título, a maioria tomou cerveja pra comemorar, mas eu não quis. Fizemos uma temporada ruim, tivemos quatro treinadores, parecia no Brasil. Comemorei pouco, porque senão a gente se acomoda e mantém do jeito que está. A gente tem que ter mentalidade de campeão. Eu fiquei quieto, tomei meu banho e fiquei na minha”, finalizou.

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    Comments (7)

    1. Avatar
      Ap Agostinho

      Volta Akon do timão…!

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      Paulo Roberto

      E ele era corinthiano lembto da reportagem dele dizendo q o sonho de criança dele era jogar no corinthians

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      Felipe Villa

      Volta cleber

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      Renan Junior

      O estabanado, mais era um bom zagueiro

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      Ewerthon Duarte

      Cleber monstro volta cleber

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      Telemaco Pacheco Vidal

      É nois

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      Lucas Costa

      Tinha tudo pra ser um grande jogador, e saiu fora assim, pelos fundos..

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