Presidente do Timão: redução de gastos afetará Sheik e Guerrero

    A eliminação para o Guaraní (PAR) nas oitavas de final da Libertadores não vai demorar a refletir no lado financeiro do Corinthians. O problema vai afetar dois pilares importantes da estrutura corintiana: o elenco e a Arena Corinthians.

    O caso mais evidente é a situação de Emerson Sheik que, com 36 anos, recebe R$ 520 mil mensais. Seu comportamento polêmico fora de campo e as ausências em jogos decisivos pesam contra a permanência após 31 de julho, quando encerra o atual vínculo. Após a partida, o presidente Roberto de Andrade afirmou que a negociação ainda dependerá de um aval da comissão técnica.

    – Não está decidido (se vai renovar). Ainda não sentamos para conversar, primeiro preciso de uma avaliação da parte técnica. Se eles acharem que tem de renovar, a gente senta e conversa. Caso contrário, não – afirmou o mandatário.

    Andrade ainda confirmou que, para a permanência do camisa 11, os vencimentos dele terão de ser reduzidos.

    – A intenção é você reduzir os custos, não só do Sheik, Guerrero, mas de todos. Não estou dizendo que vai acontecer isso, mas pode acontecer. De repente, pelo que eu quero pagar, o jogador não quer ficar. Estamos conversando – disse.

    – Quem ganha x, não vai querer ganhar meio x. Vamos procurar mostrar as difuldades que estamos passando. Se não conseguimos pagar, não adianta assumir compromisso que não posso honrar – completou.

    Outro caso de renovação indefinida é o de Paolo Guerrero. Também não há garantia de sucesso na negociação. Apesar de ser o principal jogador da equipe, ele pede R$ 18 milhões de luvas para estender o contrato, que acaba em 15 de julho. A crise financeira não dá espaço para grandes investimentos. E Guerrero, vai aceitar baixar a pedida sem o sonho de brigar pela América e o mundo?

    – Futebol não é barato. A gente fala em salário que todo mundo acha barato, de 150 mil reais, eu acho muito caro. Futebol é assim. Em algum momento, isso vai mudar. Não sei se já, ano que vem. As dificuldades estão surgindo a quase todos os clubes, estão grande. Quem quer receber, quer receber muito mais do que você oferece – ressaltou o presidente.

    O elenco, cuja folha salarial ultrapassa os R$ 10 milhões mensais, dará mais dor de cabeça para Tite. Mesmo com revezamento constante no Paulistão, teve gente insatisfeita. Empresários de Malcom, Petros e Luciano fizeram pressão por mais espaço ou saída de seus clientes. Os medalhões no banco também podem virar problema. Edu Dracena e Cristian não atuaram em nenhum dos jogos decisivos. Vagner Love não foi relacionado para o duelo de ontem, preterido por Mendoza e Romero. Sem a Libertadores, haverá ainda menos brechas para eles atuarem.

    Venda antecipada?

    Além de Sheik e Guerrero, que podem não continuar, a queda pode antecipar a saída do zagueiro Gil, que tem encaminhado acordo para sair para a Europa no meio do ano. O Wolfsburg (ALE), principal interessado, prometeu cerca de R$ 22 milhões por ele – o Timão ficaria com R$ 19 milhões. Neste caso, pelo menos, os cofres do clube seriam reforçados.

    Menor receita na Arena

    A saída da competição sul-americana também afetará a arrecadação da Arena Corinthians. A média dos jogos internacionais foi superior a R$ 3 milhões por jogo – em cinco jogos (Once Caldas, São Paulo, Danubio, San Lorenzo e Guaraní), cerca de R$ 16 milhões . O valor líquido vai para o Fundo de Investimento Imobiliário – FII, mas os milhões aceleram o processo para que o clube comece a dividir os lucros de bilheteria.

    – Qualquer dinheiro que não entra, fará falta. Pelos números que a gente vem avançando na Arena, não estamos com radar ligado. É o que a gente esperava que tivesse – destacou Andrade.

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