Procura-se um ídolo: Timão busca referência após saídas de estrelas

    O sistema de som da Arena Corinthians serve como um termômetro. Para saber o nível de idolatria que cada jogador desperta na torcida basta prestar atenção na empolgação dos gritos e aplausos a cada nome anunciado pelos alto-falantes antes dos jogos. Desde que Emerson e Guerrero foram embora, a euforia com os nomes caiu bastante. Com o time em reconstrução, o clube procura também quem poderá se transformar em um novo ídolo da Fiel.

    Apesar da crise financeira que atravessa, a diretoria do Corinthians olha para o mercado na tentativa de encontrar uma peça que se encaixe nesse perfil. O clube avalia que necessita de uma contratação de certo impacto para reforçar a equipe neste segundo semestre e aumentar as adesões ao plano Fiel Torcedor. Hoje, o Alvinegro é o terceiro em número de sócios-torcedores no país, com 105.946, perdendo para Palmeiras (129.027) e Internacional (146.802).

    Sem dinheiro nos cofres, o nome que encaixa no orçamento neste momento é o de Teo Gutiérrez, estrela do River Plate. O colombiano, de 30 anos, é visto como o jogador capaz de substituir Guerrero à altura. As negociações com a equipe de Buenos Aires estão travadas depois que o Timão ofereceu cerca de R$ 6 milhões parcelados em quatro vezes. Os argentinos pedem R$ 9,3 milhões.

    Caso a conversa não evolua nos próximos dias, o Corinthians considera também a possibilidade de deixar a busca por um jogador renomado para 2016. Em fevereiro, o clube receberá cerca de R$ 160 milhões pelos direitos de televisão e planeja investir pesado na chegada de reforços para brigar por títulos.

    Enquanto isso, o posto de ídolo ficará vago. Do atual elenco, poucos jogadores se aproximam disso. O momento técnico também não ajuda. Ralf e Danilo, sempre exaltados pela torcida, estão no banco de reservas e devem sair no fim do ano. Cássio, herói dos títulos da Libertadores e do Mundial de Clubes, passou a ser questionado depois de algumas falhas, mas continua com prestígio.

    Elias também vive altos e baixos com os torcedores. Desde que voltou, no ano passado, não empolgou. O volante chegou a fazer grandes partidas na Libertadores, mas a possibilidade de se transferir para o Flamengo, já descartada por ele, parece ter afetado a relação. Jadson e Renato Augusto passam por boa fase, mas seguem longe de serem ídolos. Vagner Love ainda é visto com desconfiança.

    A vaga de referência do elenco (e do coração do torcedor) não ficava vaga desde a campanha em que o Corinthians voltou à elite do futebol brasileiro em 2008. No fim daquele mesmo ano, a direção apostou em uma inovadora estratégia de marketing e contratou Ronaldo. Desde então, dando certo ou errado, o clube sempre teve uma estrela capaz de atrair ainda mais mídia e público às arquibancadas.

    O resultado nem sempre foi o esperado. No embalo do Fenômeno, o Corinthians contratou o também pentacampeão Roberto Carlos, mas a eliminação na Libertadores de 2011 para o Tolima acabou com a passagem dele – pediu a rescisão alegando ter sido ameaçado por torcedores. Adriano, mergulhado em problemas fora de campo, sequer teve tempo para isso e saiu pela porta dos fundos.

    Alexandre Pato chegou como uma grande contratação após o Mundial, mas nunca se firmou. Pior, o pênalti batido de forma displicente, diante do Grêmio, pela Copa do Brasil de 2013, acabou com qualquer chance de se transformar em ídolo como Emerson e Guerrero.

    Os dois, amados pela Fiel, deixaram saudade.

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