Corinthians - Covid

    Covid-19 e caos financeiro: os desafios do Corinthians pós-pandemia

    A grave crise financeira no Corinthians tem sido um dos assuntos mais comentados no futebol brasileiro atualmente. E a situação econômica causada pela pandemia do COVID-19 colocou em cheque o avanço no processo de recuperação financeira de um dos maiores clubes do Brasil.

    Mesmo com os alertas de especialistas e com um déficit recorde de 177 milhões em 2019 e um aumento de cerca de 40% em sua dívida acumulada, a diretoria deu ao técnico Tiago Nunes um time competitivo para brigar por títulos no ano de 2020. Mas, com a inesperada pandemia, o Timão vê seus esforços financeiros sendo em vão e a conta astronômica batendo a sua porta.

    O Corinthians em 2020 abusou mais uma vez dos gastos em contratações de nome. Maior investimento do clube, o ex-gremista Luan, foi contratado por 7 milhões de euros, aproximadamente 22 milhões de reais, e o colombiano Victor Cantillo, destaque do Junior Barranquilla, que o clube pagou 12 milhões de reais por 70% dos direitos econômicos do volante.

    Para piorar a situação, o clube ainda não correspondeu dentro de campo. Eliminado precocemente na pré Libertadores e em situação complicada no campeonato paulista, o Timão vê suas possibilidades de conquista no ano se resumir ao Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, e está longe de ser favorito para ambas as competições.

    Saída de patrocínios e queda nas fontes de renda 

    Ederson - Duilio - Apresentação no Corinthians
    Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

    Se até para clubes com a saúde financeira em dia, a pandemia causou grandes problemas financeiros, para o Corinthians isso representou uma queda drástica nas receitas e uma alteração em todo o planejamento do clube para o ano de 2020.

    Um de seus patrocinadores, a MarjoSports rescindiu o patrocínio que teve início em abril de 2019 e iria até dezembro deste ano. O motivo é claro: as conseqüências econômicas que causadas pela paralisação dos jogos diante do atual cenário do país.

    O Presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, faz esforços para negociar com fornecedores do Parque São Jorge e de outros setores para entender qual a melhor forma de pagamento nesse momento de paralisação, tendo em vista o não pagamento e a diminuição dos valores dos patrocinadores do Corinthians.

    Dividas em curto prazo e comparação com o Cruzeiro

    A comparação com o clube mineiro tem sido recorrentes entre a mídia esportiva e alguns torcedores. Com gastos astronômicos, escândalos de corrupção da sua antiga diretoria e rebaixado para a segunda divisão pela primeira vez em sua história, o Cruzeiro se vê atolado em dívidas impagáveis, fonte de renda reduzida e um futuro incerto na série B, com o risco de não conseguir o acesso.

    Vagner Love - Corinthians 1 x 2 Cruzeiro
    Foto: Rodrigo Gazzanel / Ag. Corinthians

    Sobre a comparação da situação dos dois clubes, o presidente Andrés Sanchez descarta qualquer semelhança.

    “Não são comparáveis. Aconteceram coisas absurdas no Cruzeiro, coisas que estão sendo investigadas. Aqui o problema é que gastou mais e arrecadou menos. Faltou dinheiro. Os títulos não dão um tempo de paz, ao contrário, aumentaram a pressão por jogador. E time brasileiro que não vende jogador fica no vermelho. No ano passado não vendemos ninguém.”

    De forma diferente, mas assim como os mineiros, o Corinthians segue figurando na Justiça. O Timão tenta alongar um prazo para o pagamento do financiamento da área Corinthians, mas o problema está no valor da multa que a Caixa Econômica Federal cobra do clube – aproximadamente R$ 50 milhões de reais – a qual a diretoria alvinegra já declarou que não concorda em pagar.

    As contas da sua sede social pioraram muito. Em 2018, já no vermelho, estavam com um déficit de R$ 41,2 milhões, em 2019, o saldo negativo foi 50% maior, passando para R$ 61,5 milhões, o que representou 13% de alteração de um ano para o outro.

    Um dos grandes problemas do Corinthians é que grande parte da dívida é de curto prazo. O último balanço financeiro do clube mostra aproximadamente R$ 400 milhões em débitos que precisam ser quitados já no ano de 2020, algo que se tornou praticamente impossível, sobretudo após a paralisação do futebol por conta da pandemia.

    Empréstimos feitos em 2020

    Mesmo em meio à crise financeira, o Corinthians fez, neste ano, empréstimos que ultrapassam a casa dos 70 milhões de reais.

    “Os contratos de operações bancárias foram realizados com Banco BMG – saldo devedor de R$ 25.406.667,09 – com vencimento em março/2020 e Banco Daycoval – saldo devedor de R$ 44.697.099,35 – com pagamentos trimestrais a partir de janeiro/2020”, diz a nota assinada pelo presidente Andrés Sanchez, datada de 17 de janeiro de 2020.

    Quais os caminhos para diminuir a crise pós-pandemia?

    O sinal de alerta já foi aceso, e o Corinthians terá que seguir o mesmo projeto de longo prazo de clubes como o Flamengo e o Palmeiras, que saíram de graves crises financeiras e hoje podem investir mais em seus elencos.

    Não é fácil dizer para seus torcedores que o clube ficará um ano ou mais sem um time competitivo, sem brigar por títulos. É importante que se tente manter a qualidade do elenco, e economizando ao mesmo tempo.

    Foto: Ag. Corinthians

    Reduzir ao máximo seus custos operacionais

    Reduzir os custos operacionais é algo que já tem sido feito pela diretoria, e é uma ação primordial para colocar a casa em ordem.

    De acordo com informações publicadas no blog do jornalista Jorge Nicola, no Yahoo, o Corinthians diminuiu 50% dos valores gastos com custos de manutenção da Arena Corinthians no ano de 2018, com relação ao ano de 2017.

    No ano de 2017 o clube gastou algo torno de R$26,5mi. Em contrapartida, no ano passado (2018) o clube gastou aproximadamente R$13,3mi.

    Apesar ainda representar um alto custo para o clube, é um avanço que deve ser continuado, ano após ano.

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    Redução de folha salarial

    O Corinthians reduziu a sua folha salarial em 2020 em 5 milhões de reais, de acordo com o Diretor financeiro do clube, Matias Antonio Romano de Ávila.

    “Com a saída de jogadores reduzimos em R$ 5 milhões a folha salarial. Isso ai são aqueles jogadores que terminaram contrato em dezembro de 2019. Antes, a folha salarial era de R$ 16,5 milhões, agora, o valor total da folha é de aproximadamente R$ 11 milhões. O Corinthians tem 64 jogadores na folha salarial, contando a base também. Ano passado passava de cem jogadores.” Revelou Matias.

    É fundamental que o clube reduza ao máximo a sua folha salarial já neste ano, para que evite atrasos de salários e conseqüentemente processos de jogadores, o que representaria um rombo ainda maior no futuro.

    Utilizar e vender atletas da base

    Corinthians Sub-17
    Foto: Ag. Corinthians

    A categoria de base do Corinthians sempre foi referencia no Brasil. Maior campeão da Copa São Paulo de Futebol Junior, com 10 títulos, o clube precisa agora, mais do que nunca, utilizar esses atletas no profissional para valorizá-los e prepará-los para uma futura venda.

    Assim como foi com o recém vendido Pedrinho, o Corinthians possui pelo outros vários jovens promissores que devem ser valorizados e vendidos nos próximos anos.

    O atacante Gabriel Pereira, de 18 anos, um dos destaques da ultima Copa São Paulo, o goleiro Matheus Donelli, que recentemente foi campeão mundial com a seleção Sub-17, o atacante Nathan, de 20 anos e o meia Ruan Oliveira, também de 20 anos, são alguns jogadores que se destacam hoje nas categorias de base do Corinthians e precisam ser aproveitados pela comissão técnica.

    O Caminho será difícil. A diretoria sabe que pode contar com a sua torcida para todo tipo de situação, mas administrar e gerir um clube gigante como o Corinthians não é fácil, resolver todos esses problemas financeiros será uma tarefa que vai exigir muita competência, profissionalismo e acima de tudo, a paciência dos torcedores.

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